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A tecnologia no centro das estratégias corporativas

Movimento de retomada da economia terá como base a continuidade da digitalização das empresas

28/10/2020 às 10h04

Passados mais de sete meses do início da pandemia, as discussões sobre a retomada da economia e, principalmente, sobre como as empresas vão emergir desse período ganham força. Está claro que a transição digital, que já vinha no radar do mercado antes mesmo da crise, torna-se ainda mais relevante e a tecnologia passa a assumir um papel central nas estratégias corporativas.

De acordo com o Country Manager da IDC Brasil, Denis Arcieri, o momento vivido hoje é muito especial para o mercado de tecnologia. “O top management das empresas percebeu que seus concorrentes mais tecnologicamente preparados estão ganhando espaço nesse momento. Isso mudou o modo como as empresas enxergam a tecnologia”, afirma.

Essa percepção já foi sentida pelas áreas de TI, cujos representantes reconhecem ser mais fácil hoje debater o tema com seus presidentes. Mais que isso, mudou também a origem da demanda. Antes da pandemia, muitas vezes os CIOs levavam ao top management os projetos, que não eram validados. Agora, a mão se inverteu, com muitos projetos vindo de cima para baixo, numa clara demonstração de mudança de comportamento.

“Os conselhos das empresas também estão mudando. Há um interesse maior em ter membros com background de tecnologia que ajudem a repensar as estratégias das companhias”, revela Arcieri. Para ele, da mesma forma que os atentados de 11 de setembro foram um divisor de águas para as estratégias de continuidade de negócios, no futuro a pandemia de Covid-19 será vista como o fenômeno que tornou a tecnologia um pilar importante para a sobrevivência das empresas.

Graças a isso, a previsão da IDC é que, em médio prazo, as áreas de TI das empresas devem ganhar ainda mais relevância, recebendo mais investimentos. De acordo com a head da Oi Soluções, Adriana Viali, muitas empresas estão repensando suas estratégias e buscando se adaptar a novos modelos de negócio.

“É o que aconteceu com o varejo, por exemplo, que viu as vendas online explodirem”, diz, lembrando que este crescimento virá acompanhado do crescimento na adoção de plataforma omnichannel.

O fato é que cada empresa tem seu grau de maturidade e, segundo Adriana, para empresas como a Oi Soluções a maneira mais efetiva de ajudar os clientes é entender suas demandas, trabalhando de forma consultiva e facilitando sua jornada.

“Esse processo de transformação digital é complexo, por isso é preciso contar com soluções integradas e parceiros que consigam unir toda essa gama de TI e telecomunicações para facilitar a implementação, a gestão e o pós-venda de tudo isso. Ter a visão do todo é um grande aliado”, garante.

O CEO da Mobicare, Rodrigo Dienstmann, concorda, e lembra que é preciso estar pronto para acompanhar a dinâmica da transformação digital do mercado. Segundo ele, em um primeiro momento, a digitalização se dá para fora, no modo como as empresas se relacionam com seus clientes. “Com a pandemia, muitas empresas não tiveram tempo hábil para avaliar tecnologias e fazer suas próprias construções. Elas tiveram que buscar plataformas para conseguir essa velocidade”, lembra.

Segundo Dienstmann, estas plataformas oferecem processos externos semiprontos que, em um segundo momento, serão utilizados também internamente. “A pandemia causou uma aceleração de algo que já iria acontecer. O que temos feito é interpretar o que o cliente precisa e entregar isso em forma de plataformas colaborativas. Todos tiveram que buscar ferramentas e mudar seus processos”, diz.

Por conta disso, a IDC já enxerga mudanças culturais dentro das empresas. Uma delas é a velocidade das implementações. “Não pode mais haver projetos com duração de seis meses a um ano. O executivo principal da empresa tem que tomar decisões em dias”, compara Arcieri. Justamente por isso, ele acredita que alguns paradigmas – como uma aceitação maior do risco – estão sendo quebrados.

Este processo de digitalização, no entanto, não é livre de desafios. A IDC lista alguns, como a dificuldade que pequenas e médias empresas terão para aprender e implementar esse fluxo de novas tecnologias e a mudança no perfil das áreas de TI, agora se tornando muito mais especializadas em negócios do que em tecnologia. “Hoje recomendamos que as empresas procurem um parceiro e que as áreas de TI entendam profundamente o negócio. Não é preciso ser especialista em todas as áreas. Aqui o SaaS traz agilidade, flexibilidade e uma gestão menos complexa. Quando se adota um software como serviço, você transfere uma série de responsabilidades para o fornecedor”, defende.

Essa tendência também já é sentida nos números. Segundo a IDC, o mercado de software como serviço (SaaS), deve crescer de 25% a 30% até 2024. Arcieri conta que atualmente só 18% do total de investimentos em software são direcionados ao SaaS no Brasil, mas que esse percentual deve crescer para 42% até 2024. “Existe um movimento forte para isso, com alguns workloads mais aderentes, como os de colaboração. SaaS é um ponto importante para essas empresas, mas é preciso um parceiro estratégico para ajudá-las a solucionar problemas, indicando a melhor solução para determinadas demandas”, conclui.