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Nuvem. Na dúvida, use todas

Para a IDC Brasil, o futuro da infraestrutura de TI é híbrido e integrado a diversos tipos de nuvem, cada um voltado a uma demanda ou utilização específica das empresas

07/10/2020 às 18h12

Os processos cada vez mais acelerados de digitalização dos negócios tem levado um grande número de empresas a procurar entender as ofertas em nuvem e suas possibilidades. Muitos CIOs têm imaginado como migrar seus ambientes e, principalmente, que destino dar ao legado muitas vezes construído ao longo de anos.

O gerente de pesquisa e consultoria em telecomunicações da IDC Brasil, Luciano Saboia, lembra que esta jornada, embora necessária, deve ser planejada e executada com cautela, justamente para que as empresas possam avaliar o que deve ir para a nuvem e, principalmente, que tipos de nuvem devem ser utilizadas.

“A cloud tem sido um elemento fundamental para aceleração de temas como Analytics e Big Data, Inteligência Artificial, IoT entre outras coisas”, afirma. No entanto, ele lembra que o caminho pode ser feito em partes. De acordo com Saboia, a jornada para a nuvem começa com a movimentação dos chamados ambientes “as is” para a nuvem. Neste momento, não é feita qualquer adequação, e os ambientes são migrados como estão.

“Este é apenas o primeiro passo para a transformação das capacidades digitais das empresas”, afirma. De todo modo, Saboia diz que o uso de ambientes híbridos deve ser uma característica marcante do processo de adoção de nuvem no mercado brasileiro porque é a melhor forma de atender e integrar diferentes demandas, permitindo ganhos de um lado e, de outro, a preservação de investimentos feitos ao longo dos últimos anos.

Justamente por isso, o analista lembra que a escolha de parceiros especializados e de provedores de soluções tem sido cada vez mais importante para as empresas brasileiras. Isso vem da necessidade de desenhar e manter infraestruturas híbridas e integradas, que atendam às diferentes nuances de negócios. “A cloud está dentro do enredo dos negócios”, afirma, lembrando que estas estruturas devem acompanhar a seguinte divisão:

  • Nuvem pública – envolvendo todo o tipo de negócios, as nuvens públicas devem acomodar os workloads mais dinâmicos que, em geral, tocam o cliente final ou o ecossistema do qual a empresa faz parte;
  • Nuvem privada – as nuvens privadas serão direcionadas para os workloads que necessitam estar mais próximos do núcleo dos negócios ou que tenham parâmetros que obriguem a isso, como questões regulatórias ou de compliance. Elas também serão o destino das aplicações que não poderão ser totalmente modernizadas;
  • TI tradicional – a TI tradicional não desaparece. Ao contrário, vai suportar os legados que, por motivos técnicos ou estratégicos, não serão modernizados e não passarão por um estágio de uso em cloud ou adoção como serviço.

Saboia afirma ser importante que as empresas tenham em mente que, ao iniciar sua jornada para a nuvem, as empresas estarão sempre diante dessa situação e deste tipo de arquitetura híbrida. “Há uma predisposição do mercado para utilizar a nuvem e uma tendência de adoção acelerada aqui na América Latina”, diz.

Dados da própria IDC apontam que as empresas devem manter ou ampliar seus investimentos em nuvem no pós-pandemia. “Estes investimentos serão direcionados para nuvens privadas, IaaS, PaaS e SaaS”, revela.