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O futuro do videomonitoramento

Nesta entrevista ao Soluções em Pauta, Bruno Carvalho, diretor comercial NE da Avantia, explica como o novo contexto trazido pela pandemia levou ao aprimoramento dos serviços de videomonitoramento, com funções de reconhecimento cada vez mais sofisticadas

05/08/2020 às 10h00

O novo contexto trazido pela pandemia de Covid-19, com a obrigatoriedade de uso de máscaras e protetores faciais em quase todo o mundo, tem impactado fortemente o uso de soluções de videomonitoramento, mas para melhor. Ao contrário do que se possa imaginar, a impossibilidade de fazer o reconhecimento facial completo das pessoas tem levado as empresas especializadas no setor a desenvolver soluções mais sofisticadas.  

Para entender como se deu esse processo, o Soluções em Pauta ouviu o diretor comercial NE da Avantia, Bruno Carvalho, que conta como as soluções de videomonitoramento evoluíram das câmeras analógicas para o uso de aplicações analíticas avançadas. 

O que é videomonitoramento? 

Como o próprio nome diz, trata-se de um monitoramento através de vídeo, ou seja, através de captação de imagem é possível identificar algum tipo de desvio de conduta ou ação. O videomonitoramento sempre fez parte de uma agenda da área de segurança. No final dos anos 90 e começo dos anos 2000, o segmento de segurança era muito bem definido e apartado das áreas de Tecnologia da Informação e de automação. Para se fazer o videomonitoramento de ambientes, utilizavam-se câmeras analógicas que não tinham nenhum tipo de inteligência. Elas faziam a visualização e a gravação de imagens e, em caso de eventos, as pessoas consultavam o time lapse, que fazia a gravação das imagens.  

Quando isso começou a mudar? 

Com o advento da rede IP, surgiram outras soluções que começaram a se integrar a esse sistema de videomonitoramento. Por exemplo, antigamente a estrutura de videomonitoramento era alimentada por cabos coaxiais. Com a chegada das redes IP, passou-se a utilizar cabos de rede como conhecemos hoje e, com isso, as empresas de videomonitoramento começaram a criar dispositivos para esse mundo IP. Aqui no Brasil, essa movimentação ganhou força por volta de 2005. 

O que o uso da internet trouxe de novo? 

Grandes grupos empresariais criaram as câmeras IP, que gravavam as imagens e as armazenavam em um equipamento chamado NVR. Com a rede IP, houve uma mudança de como se via o videomonitoramento. Isso porque a área de segurança começou a trabalhar diretamente integrada com o pessoal de TI, que já vinha desenvolvendo redes de dados e telefonia de forma estruturada. A TI começou a experimentar a convergência dessas tecnologias e abraçou a responsabilidade de fornecer a infraestrutura para esses equipamentos. 

E aí incluíram a segurança no pacote? 

A consultoria de pessoas da área de segurança é imprescindível para um projeto de segurança eficaz, a diferença é que diante da utilização de várias tecnologias a TI e especialistas de tecnologia passaram a integrar esse time. 

Que mudanças começaram a partir daí? 

O primeiro boom foi sair da rede coaxial utilizando time lapse para rede IP com servidores e outras tecnologias. O videomonitoramento entrou nesse mundo IP e descobriu-se que havia uma série de outras tecnologias que poderiam ser agregadas. A câmera passou a ser um dispositivo de telecomunicação e começou a embutir outras funcionalidades.  

Como isso foi feito? 

Uma solução de videomonitoramento é relativamente simples: há a câmera, a estrutura onde passam as imagens; e o core de rede, com um servidor e o storage para armazenamento dessas imagens. Dentro do servidor há um VMS (Virtual Management Software), que vai fazer a gestão das imagens e do armazenamento. Com o tempo, os especialistas perceberam que este software poderia fazer mais, utilizando funcionalidades analíticas de vídeo. 

Aqui a solução deixa de ser somente hardware... 

Isso. As empresas de software começaram a investir pesado em reconhecimento facial e outros analíticos, que antigamente era muito caro, colocando essa tecnologia no core de rede ou em alguns casos na própria câmera. 

Aqui já temos o reconhecimento facial como conhecemos hoje? 

Ainda não. Depois disso, vem uma nova evolução. Essas empresas começaram a se perguntar por que não colocar essas funcionalidades analíticas na própria câmera, aproveitando o processamento, para reduzir o tráfego na rede. Fizeram isso e hoje temos uma série de funcionalidades que antigamente eram compradas à parte nativas na própria câmera. São mais de 30 funcionalidades analíticas possíveis. Esse é o nosso mundo hoje. Saímos de uma câmera analógica, onde usávamos as informações reativamente, para a obtenção de uma série de informações em tempo real, onde é possível fazer análises de comportamento e evitar eventos. 

Como isso funciona? 

Por exemplo: hoje é possível determinar o tempo padrão que uma pessoa leva para entrar no estacionamento e sair com seu carro. Se esse tempo é excedido, isso gera um alarme que vai mandar um profissional de segurança checar o que está acontecendo. Hoje é possível premeditar determinadas ações. Nós mesmos, aqui na Avantia, desenvolvemos vários analíticos de vídeo e fazemos a gestão de videomonitoramento de forma remota, pois nem sempre o cliente tem uma estrutura para atender os alarmes gerados. Para isso criamos um centro de gestão da operação, onde recebemos os alarmes e acionamos as pessoas indicadas pelo próprio cliente.  

E como a pandemia impactou esse mercado? 

Muitos desenvolvedores visualizaram a possibilidade de implementar tecnologias para combater a pandemia. De forma muito rápida, inicialmente os chineses desenvolveram soluções para esse tipo de situação. Os softwares analíticos de reconhecimento facial tiveram seus algoritmos aprimorados para que não fosse necessário analisar todo o rosto e a identificação fosse feita somente pelos olhos.  

Hoje já temos no mercado soluções de terminais que, além de identificar se a pessoa está com máscara e sua identidade, faz aferição da temperatura também. Se um desses critérios não bater, a solução gera um alarme e pede que a pessoa seja direcionada a uma triagem. Hoje os principais players do mercado conseguiram se movimentar nessa situação de pandemia.  

E estas soluções já estão em operação? 

Temos alguns projetos nesse sentido, com soluções de aferição de temperatura e identificação de aglomeração. Há situações em que uma câmera térmica consegue monitorar até 10 pessoas ao mesmo tempo, identificando se as temperaturas estão normais. Há também câmeras integradas a catracas e cancelas e soluções para alertas de aglomeração, onde é possível analisar uma sala onde pode haver no máximo três pessoas e gerar um alarme se esse número for superado.   

Então o mercado se adaptou bem? 

O mercado reagiu de forma muito rápida. A pandemia, também nesse caso, foi um acelerador. A máscara passou a ser item obrigatório, principalmente em indústrias, e rapidamente as empresas do setor conseguiram fazer uma atualização dos algoritmos de reconhecimento.  

E o que mais pode vir por aí? 

O que temos certeza é que os cuidados com as pessoas vão continuar existindo. Quando falamos que temos um totem que consegue identificar pessoas, com ou sem máscara, e que se integra ao controle de acesso da empresa, informando se a pessoa está com febre ou triste - já há análises de comportamento - isso é um caminho sem volta. A pandemia acelerou esse processo em todos os níveis e o futuro são as empresas colhendo informações de seus colaboradores e terem uma atitude proativa em relação a isso. Isso vai acontecer cada vez mais. Os softwares analíticos estão cada vez mais maduros e tudo o que está sendo criado agora será aproveitado e agregado à infraestrutura já utilizada, trazendo mais informações. A partir daí, o céu é o limite para o uso dessas análises.   

Há um futuro que eu vislumbro, onde soluções como a Alexa e o Google Home serão integradas. Teremos um elemento autônomo e único que, com a captação da imagem, pode integrar soluções de videomonitoramento com soluções de interação homem-máquina. A pessoa não vai simplesmente falar ou ser vista. Ela vai interagir e terá a resposta.